"O sol raiou timidamente e a subtileza da sua luz iluminou a cidade. Confettis coloridos faziam a sua dança com o vento, máscaras e copos de plástico eram espezinhados e garrafas pontapeadas por seres ressacados que deambulavam pelas ruas. Restos de uma noite artificialmente iluminada, mas verdadeiramente festejada, que se deitavam na estrada.
A lua estava cheia e os homens uivavam como lobos esfomeados. Na avenida sentia-se o odor a comida, a bebida e a festa carnavalesca. Atadas entre postes, fitas de vários tons serpenteavam a rua. As máscaras brancas escondiam as caras, indiferenciando aparências e aproximando estranhos desprovidos de preconceitos. As saias escarlates das senhoras rodopiavam ao ritmo da música animada, auxiliadas pelas mãos gentis dos príncipes de face tapada. Os lábios encostavam frequentemente as bordas dos copos e sorviam o líquido alcoolizado e quente, aquecendo os corpos, os corações e as satisfações carnais que seriam cumpridas no desfecho da noite. Satisfações essas que seriam realizadas sem preocupações, desconhecendo quem se escondia por trás daquele disfarce.
As máscaras caíram quando o céu escuro recebeu pinceladas claras. Despiram-se os rostos, descobriram-se identidades e voltaram os preconceitos. Vieram as dores de cabeça, os incómodos no estômago, os remorsos, os “porquês” e as aparências voltaram a subir ao primeiro lugar do pódio."
(c) Beatriz Madeira, Fevereiro de 2011
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