20 de fevereiro de 2011

"Certa noite voltei-me para o destino.
O frio não me incomodava, a chuva não desgastava a pouca confiança que me restava.
Nessa noite confrontei-o com todas as minhas forças:
Enrolei-me nele, lutei com ele, questionei-o a fim de compreender quem seria eu.

Brincámos, fizemos amor, beijámo-nos.
O destino amava-me.
Eu amava o destino.
Tentei seduzi-lo para que respondesse às minhas perguntas,
Tentei manobrá-lo, abraçá-lo, tentei tocar-lhe no nariz para lhe fazer comichão.
Por muito que me amasse, continuava calado.
Não me iria dizer quem era eu.
No entanto perguntou-me quem eu pensaria ser.
Prontamente pensei em responder, porém mirei as estrelas bonitas e brilhantes que me rodeavam e os astros mágicos que me apaixonavam.
Senti-me pequeno e, com vergonha, respondi que sou apenas um ponto, simples e não importante. Não me orgulho do que sou, mas sim do que faço. Não julgo quem ama, por isso sinto-me rei. Não me pinto feio nem bonito, nem tão pouco aos outros seres, pois a beleza está nos olhos de quem vê e não na essência de quem é.
Perguntou-me, então, se estava feliz.
Sem saber o que dizer, experimentei a mais rara resposta, respondendo afirmativamente a tal questão.
O destino sorriu para mim.
Abanou a cabeça, satisfeito.
Esclareceu que eu sabia claramente quem era. Apenas tinha de procurar no profundo do meu ser, olhar-me ao espelho e orgulhar-me dos meus actos tão bonitos e profundos. Pois apesar de não poder escolher quem sou e o que serei, posso escolher o que faço e o que farei."

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