Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Destino: Lua ~ Distância: 384.405 km ~ Tempo: 2 segundos. - Please, come.
28 de fevereiro de 2011
27 de fevereiro de 2011
animal.

20 de fevereiro de 2011
Máscaras II
"O sol raiou timidamente e a subtileza da sua luz iluminou a cidade. Confettis coloridos faziam a sua dança com o vento, máscaras e copos de plástico eram espezinhados e garrafas pontapeadas por seres ressacados que deambulavam pelas ruas. Restos de uma noite artificialmente iluminada, mas verdadeiramente festejada, que se deitavam na estrada.
A lua estava cheia e os homens uivavam como lobos esfomeados. Na avenida sentia-se o odor a comida, a bebida e a festa carnavalesca. Atadas entre postes, fitas de vários tons serpenteavam a rua. As máscaras brancas escondiam as caras, indiferenciando aparências e aproximando estranhos desprovidos de preconceitos. As saias escarlates das senhoras rodopiavam ao ritmo da música animada, auxiliadas pelas mãos gentis dos príncipes de face tapada. Os lábios encostavam frequentemente as bordas dos copos e sorviam o líquido alcoolizado e quente, aquecendo os corpos, os corações e as satisfações carnais que seriam cumpridas no desfecho da noite. Satisfações essas que seriam realizadas sem preocupações, desconhecendo quem se escondia por trás daquele disfarce.
As máscaras caíram quando o céu escuro recebeu pinceladas claras. Despiram-se os rostos, descobriram-se identidades e voltaram os preconceitos. Vieram as dores de cabeça, os incómodos no estômago, os remorsos, os “porquês” e as aparências voltaram a subir ao primeiro lugar do pódio."
(c) Beatriz Madeira, Fevereiro de 2011
Penso que seria bom morrer e viver outra vez.
Dormir e acordar na semana seguinte.
Falhar e apagar o que fizemos.
Quando me sento a pensar,
Penso que, simplesmente, pensar não me leva a lado algum.
Penso que seria bom fechar os olhos e encontrar a solução.
Penso que se me sentar, não prosseguirei.
Quando penso, sentado,
Imagino que não existo e que não penso.
Penso que se assim fosse, não pensaria em todos estes problemas.
Quando me sento a pensar,
Morro e vivo novamente.
Contudo, apenas volto a viver quando me apetece.
Quando morro e volto a viver, tudo é simples,
Tudo é novo,
Pelo menos, penso isso,
Penso que se morrer, tudo acaba
Penso que não pensarei outra vez."
O frio não me incomodava, a chuva não desgastava a pouca confiança que me restava.
Nessa noite confrontei-o com todas as minhas forças:
Enrolei-me nele, lutei com ele, questionei-o a fim de compreender quem seria eu.
Brincámos, fizemos amor, beijámo-nos.
O destino amava-me.
Tentei manobrá-lo, abraçá-lo, tentei tocar-lhe no nariz para lhe fazer comichão.
Por muito que me amasse, continuava calado.
Não me iria dizer quem era eu.
O destino sorriu para mim.
Abanou a cabeça, satisfeito.
Esclareceu que eu sabia claramente quem era. Apenas tinha de procurar no profundo do meu ser, olhar-me ao espelho e orgulhar-me dos meus actos tão bonitos e profundos. Pois apesar de não poder escolher quem sou e o que serei, posso escolher o que faço e o que farei."
Virgo.
19 de fevereiro de 2011
Máscaras

Somos compostos por personagens. Todos nós. Algumas delas são mais semelhantes a nós; outras distanciam-se de maneira a quase não ser possível associá-las ao verdadeiro “eu”. Somos mais vezes o que é preciso e nos convém no momento, do que o que devemos realmente ser.
Consigo imaginar um armário longo de madeira escura, com portas de correr. Dentro dele estão, dispostas em longas prateleiras, várias máscaras. Por baixo delas, penduradas em cabides coloridos, vários vestidos e dezenas de pares de sapatos.
Para os dias tristes, um vestido escuro, sapatos fechados e escuros também, conjugados com a máscara que mais tapa o rosto e na qual seja possível desenhar um sorriso, mesmo que ténue. Para quando precisamos de nos sentir confiantes, um vestido colorido e uma máscara que mostre apenas o que temos de melhor. É para quando nos sentimos melhor que guardamos o vestido que sempre nos foi mais querido, aquele que só usamos em ocasiões especiais, junto com os sapatos pelos quais nos apaixonámos à primeira vista e a máscara que menos tapa – para nós, ela apenas corrige algumas imperfeições.
Mais raras e prazeirosas são as situações em que somos puros, em que não usamos máscaras, em que não fingimos nem escolhemos o vestido a dedo: é ele que nos escolhe a nós.
Para quem se habitua a ter sempre uma máscara à mão, torna-se difícil ser ele próprio. Já não tem a confiança de outrora, sente que tem de agradar aos outros para ser feliz. Só se sente bem quando é reconhecido e vive em busca de uma palavra de apreço. É importante limitarmos o nosso armário de máscaras, torná-lo o mais pequeno possível e esforçarmo-nos para que as máscaras que usamos quando necessário não escondam o melhor de nós
Usamos máscaras para esconder o que achamos que temos de mal. Do que nos esquecemos, é que, ao usá-las, não só escondemos o pior, como escondemos também, por vezes, o melhor; o medo apodera-se de nós e não somos capazes de nos dar aos outros. Quando usamos uma máscara muito tempo, ela cola-se ao rosto e é necessária uma força quase divina para a descolar. E eu acho que ainda não sei como fazê-lo, esse é um tipo de força que ainda não encontrei.
As máscaras são como os medicamentos: são perigosas e se não aprendermos a controlar a sua dosagem, elas podem tornar-se nocivas e conduzir à morte. Pelo menos à morte de algumas partes de nós, muito importantes, por vezes.16 de fevereiro de 2011

You know what your problem is? You get attached, fast. And once you’re attached to someone, you do everything you can to please them and make them happy. It’s never been about what you want, it’s always everyone’s needs before your own. You give out too many chances to people, who quite frankly, do not deserve them. They take advantage of you, and you become a pushover. But you’re okay with that, because they’re in your life and that’s all you ever really wanted. And even if they screw you over, you’ll still be there for them. Because that’s you, that’s who you are. Once you get attached to someone, they capture your heart and they always have a place there. And that is why it’s so hard for you to let that person go.
12 de fevereiro de 2011
11 de fevereiro de 2011
6 de fevereiro de 2011
2 de fevereiro de 2011
Mar?

Este quadro captou de imediato a minha atenção. Ao início, não entendi bem porquê. Olhando com mais atenção, lembrou-me o mar, as algas, os corais… Dá-me a ideia de movimento, de vivacidade.
Mar, para mim, significa calma e, ao mesmo tempo, liberdade. Há dias em que está calmo, sem ondas, é dominado por um silêncio tão imenso como a sua extensão. Depois, há outros dias em que está violento, em que corre livre e as ondas marcam o ritmo da vida e o passar do tempo. Tal como o mar, também nós temos dias calmos e dias agitados, dias alegres e dias tristes. Isto é o que me sugerem as cores desta obra de arte; as mais claras lembram-me a leveza e a felicidade dos dias bons, as mais escuras lembra-me a tristeza, o peso e a carga negativa dos dias maus.
Como disse, mar é para mim sinónimo de liberdade. Mas sempre que buscamos a liberdade, existem barreiras e prisões que, de algum modo, nos são impostas. Nesta imagem, observo o que me parece ser um pedaço de rede e é essa rede que representa, na minha opinião, as privações a que estamos sujeitos (ou nos tentam sujeitar!) ao longo de toda a nossa vida.
A chave está em desfazer essas redes, fio a fio, até conseguirmos ser livres e ter o nosso próprio ritmo, sermos o nosso próprio mar.
(trabalho de Português, reflexão sobre um quadro após visita o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian)
