
"Gostava que me fizesses uma surpresa e aparecesses um dia à porta da minha escola, com uma flor na mão. E a única coisa que fizesses fosse ligar-me e dizer “Estou à porta da tua escola. Olha à volta”. O coração ia cair-me aos pés nesse momento, e ia instintivamente ter contigo. Ao ver-me chegar a ti, sorrias, estendias-me a mão e dizias “Finalmente, estás aqui”, dando-me a flor. Eu ia corar imenso, ia agradecer e dizer que não era preciso. Entre isso ia lembrar-me de te cumprimentar. Tu ias puxar-me para ti, em meio abraço, e beijar-me a bochecha como já devias ter feito milhões de vezes. Mesmo assim, eu ia sentir-me feliz. Depois, ia aperceber-me de que toda a gente estava a olhar, e dizer-to-ia. Tu dizias “Que olhem”, dando-me a mão num estilo de ‘vamos dar uma volta’. Íamos acabar por ficar nós, e o resto, num sítio qualquer. Eu ia sentir-me especial, quer fosse, quer não. Saber que estavas ali, que me olhavas nos olhos como se estivessemos a conversar por telepatia... Sentir o teu braço à minha volta sem que qualquer outra parte do teu corpo se mexesse, sem que os teus olhos se descolassem dos meus. Não queria que me dissesses "És especial", queria senti-lo sem que mo dissesses. E ao encostar a cabeça no teu ombro, ia sentir-me leve, como se só existíssemos nós e a paisagem. O resto da tarde ia passar mais depressa que o normal, e eu aperceber-me-ia de que tinha um autocarro para apanhar. Tu acompanhavas-me e fazias questão de mostrar que tinhas gostado. Ias custar a deixar-me ir, dizias que não querias. Eu despedir-me-ia de ti o mais tarde e demoradamente possível, e viria para casa com o sorriso mais parvo e sincero, lendo uma mensagem que dizia “Doce, adorei a nossa tarde. Quero repetir, depressa!”."
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