
"Os teus braços à minha volta eram a minha protecção. A tua testa colada à minha, a minha calma. O teu beijo, o meu único desejo e objectivo. Beijei-te pela última vez, em frente a toda a gente, sem saber quando iria voltar a ver-te. Passei a mão pelo teu cabelo, pela tua cara e pelo teu peito, e comecei a andar em direcção ao autocarro. O motorista estava prestes a arrancar. Ouvi qualquer coisa e virei-me.
- Só mais um. – Prendeste-me de tal maneira que de tão presa me senti solta. Naquele segundo, o mundo era meu. E teu. Nosso, talvez. – Amo-te, e não te esqueças disso.
- Prometo que não esqueço, e tu não te esqueças que eu te amo a ti.
As lágrimas corriam à velocidade a que o autocarro andava, e a quantidade aumentava em proporção directa à distância. Comecei a sentir-me perdida de novo, e tudo o que conseguia era agarrar o teu fio e chorar. Aposto que, se contasse as lágrimas, seriam mesmo assim em número inferior às inúmeras memórias que criei contigo."
Moi même, in A noite
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