
Cheguei à conclusão de que não sei aproveitar o presente. Ou penso no passado, ou penso no futuro. Acho que é porque o presente me faz sentir um bocado frustrada. É um bocado triste "alguém da minha idade" pensar assim, mas as coisas são como são...
Os meus dias são perdidos entre a escola, a casa e o pensamento far away, para a frente ou para trás. Penso no que fiz e não fiz, no que mudava (ou não), e relembro vezes e vezes os mesmos momentos, enquanto desejo poder vivê-los outra vez. Ou então, fico perdida. Perdida entre projectos, pensamentos, sonhos, desejos, objectivos e esperanças.
É bem verdade que daqui a uns anos me vejo bem na vida, sendo o meu maior desejo ser feliz. Sim, vejo-me casada, rodeada por duas ou três crianças e um marido que sorri cada vez que me vê. Muito idílico? Talvez. Mas sonhar ainda é grátis, não esforça, não magoa e é uma infinidade de possibilidades.
"Antes isso que ser o que atravessa a vida/ Olhando para trás de si e tendo pena..." - Alberto Caeiro
Acho que o senhor Caeiro, mesmo sem existir, tinha razão. O arrependimento não nos deiza viver puros e livres, e eu sei-o bem. Acho que o sonho é, ao mesmo tempo, meu refúgio e meu inimigo - passo horas a sonhar, e inventar cenários, situações. Até que ponto é que deixo que isso me conduza a mim, cegamente?
Um dos meus maiores medos é ser eu a passar pela a vida, e não ela a passar por dentro de mim.
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