10 de maio de 2011

find your way.


Um dia, uma menina levantou-se e decidiu partir numa viagem. Durante muito tempo caminhou e caminhou, sem saber muito bem onde aquele caminho a levaria. Foram dias e dias, meses e meses, a andar em círculos, voltando quase sempre ao ponto de partida. À medida que o tempo passava, um muro construía-se à volta desse caminho que a menina já tão bem conhecia. Ela queria passar, mas não sabia como. O muro crescia, crescia, e a menina ia ficando cada vez com mais medo de avançar. À medida que o muro crescia, a estrada ficava mais escura. Ao fim de alguns dias a tactear a estrada, a menina, cansada, decidiu deitar-se um pouco e descançar. Já não dava pelo passar dos dias; o caminho estava tão escuro que, para ela, era sempre noite. Um dia, acordou com um clarão a bater-lhe nos olhos. Tapou os olhos com a mão, dando-lhes algum tempo para se habituarem novamente à luz do dia. Quando tal sucedeu, a menina levantou-se e, aproximando-se do muro, reparou numa brecha que se abrira no muro. Pensou se caberia naquela brecha. Primeiro, pensou que não e voltou a sentar-se. Depois, olhando o crescente raio de sol que por ali irradiava, decidiu tentar a sua sorte. E passou.
À sua frente estava um novo caminho, iluminado por um sol alegre e quente e ladeado por vários tipos de plantas e árvores. No entanto, a beleza e facilidade do caminho não durou muito. Pouco depois de ter começado a andar, confiante de que aquele caminho a levaria onde ela queria ir, deparou-se com a divisão do caminho em dois. E agora, qual escolher? Como que por magia, vindo de cima de uma frondosa árvore, um menino aterrou firmemente à sua frente. Não se identificou, e a menina também não fez questão de que ele o fizesse.
O menino disse-lhe "O caminho da esquerda não te levará onde queres ir, mas talvez te leve a algo melhor. Pode ser mais longo, mais é com certeza mais fácil. O caminho da direita levar-te-á onde desejas, mas é meu desejo avisar-te que está cheio de cobras, buracos, armadilhas e todo o tipo de perigos. Sinceramente, acho que esse não vale a pena. Talvez aquilo que tu queres não te queira a ti, e assim sendo não vale a pena sofreres com todos esses perigos para teres de voltar para trás." Dito isto, e tão depressa quanto apareceu, o menino desapareceu para dentro dos arbustos.
A menina ali ficou, sozinha, sem ninguém a quem pedir auxílio, tentado decidir por qual dos caminhos optar. "Costumo ir pelo mais fácil e não tenho ficado muito mal", pensou ela, "mas como sei se é verdade aquilo que o menino disse? Como sei se existirão mesmo perigos e todas aquelas coisas naquela estrada se não seguir por ela? Como sei que o que eu quero não me quer? É a única estrada que me leva onde quero ir...". A decisão tardava e tornava-se difícil. A sua insegurança não estava a ajudar muito no momento. E agora, o que fazer? Jogar pelo seguro ou seguir o desejo?
A menina decidiu seguir o desejo, só tinha de descobrir uma forma de matar as cobras, saltar os buracos e evitar as armadilhas.

1 comentário:

  1. Mais uma vez te digo, já não era sem tempo essa "mudança". Levou tempo, demasiado até, mas como te disse, se não mudares, ninguém vai mudar por ti. Afinal o facto de amuar, até serviu de algo. Sim, gosto desse teu novo "eu" Tower <3

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