(é favor não reparar nos dois jovens confortavelmente instalados)
Dia 9 de Abril de 2011. Depois de um dos momentos mais estranhos de sempre, sentei-me à beira da água deste... monumentozinho, com três amigas minhas por perto. Acho que eram quase 2 da manhã quando tu e o teu amigo apareceram ao pé de nós. Sinceramente, não faço ideia de onde vieram. Só sei que no momento em que te sentaste à minha frente, me abstraí de tudo o resto. E juro, nunca pensei que fosse capaz de o fazer. Senti-me drogada. Não sentia absolutamente nada, era como se me tivesses tirado a alma. Perguntaste se alguém falava inglês, e eu disse que sim. Acho que agora entendo porque é que nenhuma delas disse nada... Começámos a falar um com o outro como se estivessemos sozinhos. Honestamente, estava a ouvir-te falar, mas não estava a escutar metade do que dizias (hearing, not listening). Estava completamente deslumbrada, não posso negar. Quando elas me contaram como eu estava, só me apeteceu fazer um buraco no chão e enterrar-me. Mas era fácil de entender que estávamos na mesma onda! Quando perguntei "And what are you doing here?", o teu amigo disse logo "we can go, if you want", muito escandalizado - há muito tempo que eu tinha percebido que ele se estava a sentir a mais, e como nenhuma das minhas amigas lhe dava bola, se queria ir embora. A ideia de vocês se irem embora deixou-me em pânico. Comecei logo a esbracejar e a dizer "No, no, no, no, in the city, I mean". Tu olhaste para mim e esboçaste um largo sorriso; nem te tinhas mexido quando ele se levantou. Tinhas estado em Bruxelas dias antes, andavam a visitar as sedes das instituições europeias. Partiam de Estrasburgo nesse dia. Não me lembro de grande coisa do que disseste a partir daí. Sei que me perguntaste onde era a estação do tram. Eu tive de perguntar a uma das minhas amigas (mesmo tendo a estação a uns 100m de mim e tendo passado por ela umas 20 vezes). Ridiculamente, apontei sem tirar os olhos de ti, primeiro para o lado errado, depois para o certo - "the station is... up there.". Sei que pouco depois, o teu amigo não se aguentou e disse quem tinham de ir embora. Não estavam a falar inglês, mas percebi pelos vossos gestos e constantes olhares para o telemóvel. Acabaste por te levantar e caminhaste alguns passos em direcção a mim; não consegui deixar de olhar para os teus olhos, tão escuros, tão lindos... Estendeste-me a mão, dizendo "señorita". Eu dei-te praticamente o braço todo sem me aperceber, e tu pegaste-me no pulso e deslizaste a tua mão levemente até à minha mão. E eu não conseguia deixar de te olhar. Foste embora, ainda olhaste para trás a sorrir.
Só depois acordei do meu "transe" e percebi que nem me tinha lembrado de te perguntar o nome. Não tinha ficado com nada, nem nome, nem número de telefone. Só sei que és dinamarquês, a tua família tem origens turcas, que tens 19 anos (não tenho bem a certeza), que és moreno, alto, musculado e lindo. E não me esqueço nunca de que não sei o teu nome e que talvez nunca mais te volto a ver.
Maybe someday I'll go back to the place we met and remember everything. And I'll go wishing that, for some kind of miracle, you'll be there too, doing the exact same thing.
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