6 de dezembro de 2010

Cratera #31 - Pa-ahn?

Sinto as lágrimas quentes e salgadas a escorregarem pela minha cara… Se o sofrimento se esvaísse tão depressa quanto a água, eu não estaria tão infeliz. Se cada gota fosse um momento que não passaste comigo, uma palavra de apoio que não disseste, um carinho que não me deste, um desabafo meu que não ouviste… As minhas lágrimas que me parecem tantas nada são comparadas aos anos que perdeste em relação a mim. Para mim não és um pai, és um estranho… Dizem-me que podia ser pior, que tu e a minha mãe podiam estar separados. Mão vejo onde está o problema. Eu não quero uma conta bancária! Ser pai não é só dar dinheiro e boleia. É muito mais que isso. Pai não é o que faz, é o que cria. Tu não me crias, tu sustentas-me. São coisas bastante diferentes. Enquanto tu só sabes dizer o que está mal, apontar o que está mal e quando te deitas, ressonas, eu quando me deito, choro e desejo ter tido alguém que eu veja que me ama e a quem eu tenha orgulho de chamar pai. Não sei quem és, do que gostas, o que fazias quando eras pequeno, como era a tua vida, o que sonhavas vir a ser e fazer… Conheço melhor os meus amigos do que a ti. O meu isolamento, as horas ao computador e fechada no quarto são a minha maneira de tentar fazer com que custe menos. Ao menos não te vejo e o sentimento de que para ti sou transparente diminui um pouco. Provavelmente seria mais feliz se tivesse mais carinho, mesmo que tivesse uma casa mais pequena e menor variedade de roupa ou comida. O que eu queria era ser feliz. Posso ser a fonte da risada de muitos. Como diz o Eminem, em “Beautiful”, “I decided to hide behind the tears of a clown.”. Queria ser o que não sou, ter o que não tenho, sentir o que não sinto. Mas não sou capaz.

05/12/2010, 00.35h

Sem comentários:

Enviar um comentário